Que durante o
período político que vigorava o governo militar que perdurou de 1964 a 1985 a proposta
pedagógica que atendia aos interesses econômicos e políticos desse regime de
governo militar era a do tecnicismo. Interessante
saber que o MEC, o Ministério da Educação e Cultura firmou um acordo com a
USAID – United States Agency for internacional Development, no chamado Acordo
MEC/USAID, quando a USAID desenvolveu uma proposta educacional para todo o
sistema de ensino no Brasil, que era desde o primário até o ensino superior,
abrangendo o
É
estarrecedor descobrir que o modelo econômico durante o governo militar atendia
aos interesses dos empresários e além desses as forças armadas davam
sustentação aquele governo, mas foi justamente o avanço do capital
internacional na economia brasileira fez romper o equilíbrio até então
existente decorrente das ações políticas e econômicas fundados no idealismo
nacional-desenvolvimentista e isso também iria refletir na organização
administrativa da escola. O objetivo da
proposta tecnicista era aplicar um modelo empresarial, baseado no sistema
produtivo, que está vinculado com a ideia de racionalização, na produção
capitalista, e por isso era necessário adequar o sistema educacional ás
exigências da sociedade industrial e tecnológica, isto é, para que o país fosse
inserido dentro do sistema de capitalismo internacional era preciso tratar a
educação como “capital humano”. Naquele período era priorizado a quantidade de
matriculas em detrimento da qualidade do processo de ensino aprendizagem. Assim, o
diretor tecnicista tinha uma rígida administração e fazia cumprir e cumpria a
administração pré-definida, de caráter burocrático, instrucional e repassava as
tarefas aos docentes que deveriam transmitir o conhecimento de forma técnica e
objetiva, a função desse diretor estava voltada a manutenção dos prédios, a
movimentação econômica dos recursos financeiros, a atenção aos recursos humanos
no cumprimento das ações planejadas, as questões de ordem burocráticas da
secretaria escolar, pois dentro desse contexto o aluno era visto como um
produto do processo educacional e tais tarefas tinham maiores relevância do que
o processo de ensino e aprendizagem. O cerne do
papel desse diretor tecnicista era comandar e fazer cumprir a legislação e isso
significava que ele era um mero reprodutor das políticas públicas e sua atenção
estava voltada para as questões administrativas e não para as questões
educacionais. Bem, com a
luta pela democracia no país, o esgotamento do próprio regime militar e a ordem
econômica mundial trazendo novas transformações, a revolução da informática e o
fenômeno da globalização, que nada mais é que a internacionalização do capital
financeiro, tais fatos trazem novos paradigmas, que a escola deveria
reconhecer-se diversa, plural, inclusa e garantir a apropriação dos
conhecimentos necessários a produção da sociedade globalizada.A partir
desses novos paradigmas não há mais espaço para aquele diretor tecnicista, que
era rígido e apenas cumpridor de tarefas nascendo a necessidade de um diretor
dinâmico e com a consciência que a liderança deve ser democrática, surgindo
então o gestor democrático. Aliás, em
decorrência dessas novas necessidades, em decorrência, principalmente da
globalização, o modelo de administração pautado em Taylor e Fayol não atendem
mais a necessidade dessa nova demanda e daí surge o conceito de gestor.
Essa nova
proposta pedagógica abrange não somente as questões de administração da
organização escolar, mas anuncia uma descentralização do poder, dos processos
de decisão de forma que passa a proporcionar a participação da
representatividade da escola, e com princípios voltados à diversidade, à
inclusão, valores como o respeito mútuo, compreensão, apoio, equidade entre
outros.
Essa nova
proposta pedagógica com gestão democrática é uma nova postura política a fazer
frente a exigência da demanda social e se tratam de novos desafios aos
procedimentos burocráticos a conduzir esse novo processo educacional, sendo de
extrema relevância permitir o acesso aos conhecimentos sistematizados à
população, e agora não mais de maneira subordinada e burocrática a legislação e
aos ideais de um governo, mas sim de um alinhamento e entrosamento com as
políticas educacionais públicas para a implementação de um projeto
político-pedagógico e voltado ao comprometimento dos princípios de um Estado
Democrático de Direito que cria e proporciona um ambiente educacional autônomo,
com participação e compartilhamento nas decisões e resultados.
O resultado
dessa administração com gestão democrática deve estar pautado na formação de
cidadãos críticos e comprometidos em participar efetivamente na sociedade e, é
a consequência esperada de um desenvolvimento social e humano, com cidadãos
capazes de opinar, de agir e de exercer os direitos civis e políticos, e, para
que isto aconteça é necessário que o gestor escolar seja democrático,
tomando-se por base qual é a realidade da escola em que atua, necessidade de
criar situações para romper barreiras entre a teoria e a prática, permitindo
que haja a participação de todos os segmentos da escola gerando a capacidade do
sujeito entender o processo educativo, e esse é o papel desse gestor
democrático, pois ele é um líder e deverá permitir que todos os sujeitos
envolvidos possam interpretar, agir e interagir socialmente e dessa forma
estabelecendo a diferença entre a administração e a gestão educacional e não
perder o foco que a escola faz parte da construção do cidadão.
Artigo por Débora Dittrich.
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